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NÃO respondam aos homens. Revisem a Regra 1.

Veja o catálogo antes de fazer um tópico.

Por favor, leiam as regras! Atualização: 21/04/22

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File: 1719757793261.png  ( 222.79 KB , 540x304 )   ImgOps /  Google /  Yandex

1799b   No.21195

Um tema que raramente vejo discutido aqui no Magalichan é precisamente o dos subempregos que nós, mulheres, frequentemente ocupamos. Assim como os homens, estamos na base da pirâmide em empregos que são mal remunerados. Entretanto, ao contrário de um pedreiro, cujo trabalho é valorizado e reconhecido como uma profissão, no nosso caso, essas ocupações são vistas como uma obrigação moral.

Um exemplo disso é o trabalho de babá. As pessoas não enxergam essa atividade como uma profissão, com limites de horário e vínculos trabalhistas; ao invés disso, nos veem como uma segunda mãe para a criança, esperando que façamos coisas além dos nossos limites, pois consideram que é um "dever moral" feminino cuidar dos pequenos.

Outro exemplo é o de empregada doméstica. Muitas vezes, ouvimos que esse trabalho nem é considerado uma profissão. Quantas de nós já não escutamos que a empregada é "da família", como se fôssemos um objeto de decoração disfarçado de carinho? Porém, na primeira oportunidade ou diante de um objeto quebrado, essa mesma "membro da família" é demitida sem cerimônia.

Gostaria que as manas compartilhassem seus relatos sobre subempregos e as experiências que viveram neles. Aqui, vou contar o meu:

Quando me mudei para a capital de um certo estado, vinda do interior, aceitei o primeiro emprego que surgiu, pois queria morar sozinha aos meus 23 anos. Iniciei como auxiliar de estoque em uma grande rede de supermercados, mas esse cargo era apenas no papel, pois na prática, atuava como repositor no pior setor, que era o de sabão em pó e outros itens pesados. Fui prejudicada várias vezes por meus colegas de trabalho, sendo a única mulher do setor. Ouvi frequentemente os cochichos deles sobre meu corpo e meus seios. Sempre que havia erro nos preços, os clientes descontavam suas frustrações em mim. Também sofria com os gestores, que, por falta de comunicação, não me deixavam trabalhar diretamente e, posteriormente, encerraram meu contrato, alegando que eu não cumpria minhas funções, sendo que constantemente me alocavam para o estoque.

43b6c   No.21197

File: 1719765331959.png  ( 2.41 MB , 1920x1128 )   ImgOps /  Google /  Yandex

Só bicos sem saída e sem carteira assinada por muito tempo:

>animadora infantil 2006 - 2008

Comecei com 14 anos em um buffet perto de casa. Tinha que chegar as 3h da tarde, ajudava na limpeza do salão, ajudava na montagem da decoração. As 19h começava a festa e na função de animadora eu era responsável por olhar as crianças, formar a fila dos brinquedos, não deixar levar comida para os brinquedos… Mas, nem sempre me colocavam como animadora, as vezes eu tinha que ser garçonete, as vezes eu tinha que ajudar na cozinha, as vezes eu ficava como faxineira e assim ia, dependendo da vontade da dona. Terminava a festa a gente ficava lá limpando e saia umas 3h da manhã. Salário: iniciou com 10 reais a diária e terminou em 20 nos 3 anos que eu passei lá. A dona sempre ameaçava a gente de não chamar mais caso a gente faltasse.
O filho da dona era um cara de 18 anos que vivia passando a mão nas meninas. Ele era bonito e por isso era romantizado entre as adolescentes que trabalhavam nesse buffet. Mas quando eu sai ele tinha engravidado uma das meninas.

>balconista de papelaria 2009

Entrei com 17 anos para ajudar a pagar meus custos com os vestibulares. Eu era responsável por vender e por fazer impressões e xerox. Só que, meia hora por dia, eu tinha que entrar no escritório do dono e "bater" notas fiscais muito suspeitas. Eram compras caríssimas (sempre mais de 5k) de vários itens de papelaria e bolas de futebol e basquete para escolas públicas da região. Uma das escolas eu estudei no ensino básico e eu sabia que eles não compravam aqueles materiais nem ferrando. Comentei com meu pai e ele disse que eu estava emitindo notas frias e que se a policia fosse lá eu que me ferrava. Acabei ficando só 3 meses, um dia eu fiz uma nota de 15k e me deu ataque de pânico, só levantei e fui embora.

>panfleteira 2010 - 2013


Entrei na federal que eu queria, mas eu não tinha direito as bolsas de permanência porque meu pai tinha empresa aberta, apesar de estarmos muito falidos depois de um golpe. Arrumei um bico de panfletar na cidade aos finais de semana. Ficava das 08h até as 15h no sol, tinha uma meta gigantesca de panfletos para entregar e no final do dia recebia 20 reais. As pessoas conhecidas que passavam de carro eram sempre muito queridas, já até ganhei água e comidinhas. Os homens mexiam muito, mas nunca tive uma situação de perigo. Mas, tinham umas meninas da universidade que eram o cão, uma delas a mãe tinha uma loja de roupa na cidade e ela andava de carrão. Ela passava, pegava o folheto e amassava pra jogar na rua pra eu pegar. Fiquei um bom tempo fazendo isso, porque os mercados não pegavam gente que tinha curso a noite por causa das escalas. Cheguei a fazer diárias em outras cidades, só que o cara que levava a gente e buscava começou a dar em cima das meninas. Um dia a gente teve que usar um uniforme de uma construtora e ele arrumou uma sala para que pudéssemos trocar de roupa. Ele ficava entrando toda hora, tendo ver alguma coisa. Foi ficando cada vez mais insustentável os avanços dele até que eu dropei.


>continua

43b6c   No.21198

File: 1719765426926.png  ( 115.76 KB , 380x253 )   ImgOps /  Google /  Yandex

>estagiária em laboratório 2011 - 2012
Eu também estagiava em um laboratório de genética molecular nessa época, tinha funções de lavar as vidrarias e preparar as amostras de DNA das plantas analisadas. Ganhava 250 reais por mês. Só que o laboratório ficava no campus, que era na área rural da cidade e só tinha ônibus de hora em hora para lá. Eu entrava as 7h, fazia minhas obrigações da manhã e tinha do meio dia até as 14h de almoço. Só que não dava tempo voltar para casa, então eu tinha que ficar pelo campus. Saia as 18h, que também não dava tempo de ir para casa, então eu ficava das 07 da manhã até as 23h naquele campus maldito, sem lugar para descansar e sem comer direito. A supervisora era uma vagabunda vadia lazarenta e ficava no escritório dela o dia inteiro tuitando e só colocando tarefas no meu cu. Um dia, eu apresentei uma ideia de um novo protocolo de amostra, que focaria em ver se o vírus das plantas estavam localizados no floema dos galhos, ao invés de testar as folhas. Meu chefe amou a ideia e me deu carta livre para testar a hipótese. A filha de mendigo aidético tirou todo o tempo livre que eu tinha e começou a trabalhar no meu projeto como se fosse dela. Um dia eu passei muito mal e acabei me sujando toda de menstruação e pedi para ir para casa, para tomar banho. Ela surtou comigo e começou falar que eu tinha coisas para terminar, que uma mancha de sangue não ia me impedir de trabalhar. Eu só levantei e fui embora, ela ficou ligando e me ameaçando de destruir a minha carreira se eu não voltasse, que se dependesse dela eu não trabalhava em nenhum laboratório e nenhum professor ia me oferecer estágio de novo. Não voltei nem para assinar o termo de fim de estágio.


Mas comecei a ficar cada vez mais doente e descobri uma doença autoimune na tireoide. Arrumei uns bicos como cliente secreta, também trabalhei num cursinho como monitora. Fazia alguns extras como garçonete em lanchonete a noite de final de semana, ajudava com equipamento de show da banda dos meus amigos para beber de graça.

Mas, fui ficando cada vez mais doente e perdendo as forças para trabalhar em coisas que exigissem ficar em pé e comecei a procurar bicos online e fazer elaboração de currículos, formatar computador, criar redes sociais para pequenos comércios. Fui percebendo a magia do trabalho remoto e mudei de carreira.

Hoje em dia eu trabalho com criação de RPA.

40f1f   No.21217

Nossa, menina, como você conseguiu ficar tanto tempo nesses empregos de merda? Eu já ia recomendar que você investigar em TI, mas vi no final do texto que você ja tá nessa área, parabéns.

Percebo que a nova geração não se sujeita mais a esse tipo de exploração, a nossa foi a última a fazer bico por R$10, até porque dá pra fazer bem mais pela internet.

40f1f   No.21218

>>21217
>investisse
Fixed

fa527   No.21229

>>21217
Necessidade e burrice. Meus pais nunca souberam administrar dinheiro, mesmo, tendo uma boa ajuda do meu avô e também confiaram nas piores pessoas possíveis. Meu avô tem dinheiro, mas é bipolar para caralho e eu não consigo lidar. Eu acreditava que ia me formar e arrumar muitas oportunidades e que eu tinha que passar por cima de tudo para ter um diploma.

ca151   No.21265

>>21198
>Mas, fui ficando cada vez mais doente e perdendo as forças para trabalhar em coisas que exigissem ficar em pé e comecei a procurar bicos online e fazer elaboração de currículos, formatar computador, criar redes sociais para pequenos comércios. Fui percebendo a magia do trabalho remoto e mudei de carreira.
Me mostre o caminho das pedras, anã.



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